domingo, 14 de abril de 2013

ME DIGA O QUE TENS, QUE EU TE DIREI QUEM ÉS!


 Sem dúvida, já ouviste a frase do título. Deve está pensando: ‘mas ela não é assim’. Sim, estais corretíssimo. Deveria ser “diga-me com quem tu andas, quem eu te direi quem és”, porém ela será tema para outro texto. Aqui vou tratar da frase adaptada. Ela de repente nunca foi ouvida por você, mas ela é vivenciada todos os dias. Não acredita? Vou te provar! O que você tem de valor: celular? Carro? Tem casa própria? E terno microfibra? Qual a marca do seu tênis ou sandália? Onde trabalha? Ganha quanto? Pergunta final e mais importante: tem cartão de crédito?

 Bom, em nossa sociedade –atual e moderna–, aquele que tem um celular é alguém. Papi Jorge me ensinou que seria alguém na vida se tivesse dignidade e amor pelos outros. Acredito muito nele, mas se não tivesse celular ou dinheiro para comprar feijão, arroz, açaí, cachorro-quente e tudo o mais que é oferecido; eu seria alguém? Imaginemos, viveria hoje no Brasil alguém sem celular? Impossível, né! Alguém pode afirmar: ‘Só nos livros de História do século passado’. Porém, se seu celular ainda tem teclado, igual ao meu, ele não é mais celular, e sim,  celularssauro!

 Hoje, quem não tem carro? A primeira impressão parece que são poucos! Quem não tem carro, pelo menos tem carteira de motorista. Não creio? Não tens carteira? Que isso! Bem vindo ao clube, pois, somos três, eu, o meu amigo Alex (ele está nos quarenta!) e você. Sabe porquê somos pobres? A mensagem que recebemos é a seguinte: não sabemos aproveitar as oportunidades do mundo capitalista. Você concorda? No decorrer do texto, minha opinião será clara. Por exemplo, afirma-se que o mundo automobilístico dá boas oportunidades de crescimento, só não aproveita, quem não quer (traduzindo: não tem capacidade).

 Acreditando nisso, resolvi montar um negócio, e logo, ficar muito rico (aí terei a oportunidade de comprar uma Ferrari. Não, prefiro uma Mercedes. Ou melhor, uma Mclarier. Pensando melhor, um Camaro amarelo. Já sei, sonhei de mais, pois, quem em Belford Roxo, teria a capacidade de ter um carro desse? R$ 200.000,00 reais, só um super rico (se não me engano, já vi um desses por aqui, ou melhor, dois). Voltando ao empreendimento. Pensei no seguinte: como o fluxo de carro aumentou e muito(!) em nossa cidade (depois penso em expandir pelo Estado), montarei algumas tendas no decorrer da Av. Joaquim da Costa Lima com livros, computadores com internet, máquinas de suco, água, água de coco, salgados, cachorro quente, videogame e outros (depois, penso em mais coisas). Se por acaso, montares um tenda antes de mim, chamarei a defesa policial, pois, roubaste minha ideia.

 Serei o maior empreendedor, um ricão! Ligarei para o Eike Bastita (o homem mais rico do Brasil. O pai do Thor, não o dos Vingadores, mas sim, daquele que matou o rapaz em Caxias e nada aconteceu!) e direi: “Seu Eika/Eike, sei lá o quê; não foi preciso ser seu filho para alcançar a glória”. Ele responderá: “como conseguiu tal façanha”. Responderei: “não interessa pra você, palhaço!”. Melhor voltar a realidade. Seu eu conseguisse o número do telefone dele, já seria um milagre. E se ele atendesse, já seria outro e com certeza ouviria: “E daí? Quem és? Não me interessa o que faz, pois eu sempre o superarei”. Como diz meu amigo Digão: “toma! Era melhor ter ficado no seu cantinho”.

 Deve está se perguntando: Que doido vai querer montar barracas pela estrada para vender coisas? Simples. Outro dia fui atravessar a pista (avenida) em São Bernardo, levei só 10 minutos. Eram apenas, se não me engano, 4 metros de distância (se estiver errado, é culpa de minha esposa). Aí tive a brilhante ideia. Se cada pessoa demora 10 minutos da vida para atravessar um pequeno espaço, elas precisam aproveitar esse tempo. Eu, que preciso de dinheiro, para comprar coisas (e ser alguém!), concluí, que posso vender algo para elas não perderem mais tempo. Casamento perfeito! Eu ofereço coisas que os outros precisam e eles pagarão para eu ter mais dinheiro e me tornar um mega-super-astronômico rico.

 Ou seja, quando for atravessar para o outro lado e demorar, não sentirá mais raiva, e sim, alegria; pois o tempo de espera, não será mais em vão. Sabe por quê? Porque, poderá  mandar um e-mail ou curtir/compartilhar alguma coisa no facebook; ou tomar um suco bem gelado; ou ainda matar a fome. Pronto, eu resolvi (e só eu!) o problema da depressão, violência e ansiedade. Ganharei dinheiro, enquanto, farei a felicidade dos outros.

 Se chegou até aqui e pensou: "que ideia idiota". Indago: "‘Peraí’, mas por que as empresas de cartões de créditos, as Casas Bahia, os Bancos (Itaú, Bradesco, Santander e etc.) ganham dinheiro em cima das pessoas com mentiras e falcatruas, e ninguém chama de idiota?"

  Deixa para lá, pois isso é assunto para um próximo texto! 

3 comentários:

  1. Ah, estava esperando por mais uma postagem \o
    Tenho três coisas para falar sobre o que li.
    A primeira é sobre esta frase "se seu celular ainda tem teclado, igual ao meu, ele não é mais celular, e sim, celularssauro!". Celularssauro! Caraca, como eu ri. Eu tenho um celularssauro também, Paulo.
    A segunda é sobre esta "Ligarei para o Eike Bastita (o homem mais rico do Brasil. O pai do Thor, não o dos Vingadores, mas sim, daquele que matou o rapaz em Caxias e nada aconteceu!)". O pai do Thor, não o dos Vingadores, porque o pai do Thor dos Vingadores é o Odin e não o "Eika/Eike, sei lá o quê" =P
    E por fim, brincadeiras à parte, minha resposta à última pergunta: Ninguém chama de idiota porque são pessoas, na minha opinião, acomodadas com coisas "normais" - quer dizer, isso não é normal, é comodismo; as pessoas tem preguiça de pensar para questionar. Por isso não questionam se alguma empresa ganha algo "em cima delas" com mentiras ou não.
    Quantas pessoas que você conhece, que já questionou um vendedor, das Casas Bahia, por exemplo, por quê o preço de um produto subiu tantos reais ao ser comprado à prestação e ela fez a conta para saber se estava correto ou não? É por esses e outros motivos que acredito que as pessoas estão cada vez mais acomodadas...
    Enfim, o restante posso comentar no próximo texto :D

    - Maryanne

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  2. Talvez a sua ideia de lucro não seja inicialmente aceita, mas acredito que depois acabaria sendo consumida. Por quê? Como vivemos em um mundo capitalista e um de seus principais fatores é o consumismo exagerado... Em minha opinião pessoas andam consumindo coisas que elas não necessitam, como por exemplo, alguém que troca de celular só porque a versão nova é de S3 e a sua é S2 (e não se pode perder uma oportunidade dessas de trocar um celular por outro idêntico).
    As pessoas andam se esquecendo de fazer algo que beneficie outros seres humanos além de si mesmo, ou seja, o individualismo e também como a Mary citou elas se acomodam e não param para questionar esse modo de produção que faz com que se gerem desigualdades entre os humanos. As maiorias das pessoas não sabem, mas no mundo atual tudo tem validade (não estou falando de alimentos rs), um celularssauro que se bobear dura à vida toda (pode-se se encaixar em produtos de modelo fordista, não que o fordismo seja algo bom ou ruim), mas atualmente temos os queridinhos (mais conhecidos como iphone) que caso você apenas pense em deixa-lo cair, o celular já vira mil pedacinhos. As coisas não são feitas para durarem até porque se durarem, como a população continuará a gerar riquezas para as indústrias capitalistas? Enfim, enriquecemos os “cheios da grana”, entrando em filas inúteis, comprando coisas fúteis com o dinheiro que mal temos, e ainda não paramos para questionar esse sistema (que bonito).

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