As palavras política e político já se tornaram horrorosas, pelo menos no senso comum, pois
quando as escutamos, as associamos as ações podres das pessoas que detém um
cargo representativo que esqueceram ou não desejam nos representar.
Pois bem, vamos começar com a
palavra político. Muitos dos nossos
representantes (o mais assustador é que seja 95% deles) não merecem ser
chamados assim. A palavra político não
é merecedora de ser usada por esses nem de qualificá-los, já que é uma desonra
para o termo qualificar alguém que vive longe do seu significado. Um (a)
trabalhador (a) que sai de casa bem cedo (na maioria entre 4h e 7h da manhã) e
que volta lá pelas tantas (20h, 21h, 22h etc.), ou aqueles que doam seu tempo,
dinheiro, atenção, amor para os Outros, são pessoas mais merecedoras de serem
chamados de políticos. Ou seja, para
nós e, lógico para nossos representantes que são incorruptíveis, a palavra político é perfeita.
Deixa eu explicar o porquê
dessa ideia. A palavra política significa
segundo o dicionário LUFT: “governo dos povos e dos negócios públicos”; por
outro lado, o dicionário Miniaurélio aponta duas ideias que nos servem: “2. Arte
e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos (...) 4. Habilidade
no trato das relações humanas”. Resumidamente, a ideia que nos é trazida é que política se refere àquilo que se faz para
todos, para coletivo, portanto, público. E quem é o responsável por fazer e por
cuidar do que já existe é o político.
Para melhor explicar vamos recorrer
aos gregos e ao genialíssimo Rubem Alves. A palavra política vem de “polis” que
significa cidade, e conforme Alves a cidade era “um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da
felicidade”. E sabemos que todo
espaço existente (como as casas, ruas, escolas e igrejas) necessita de alguém
para cuidar, assim a “polis” grega também necessitava e o cuidador desse espaço
era chamado de político. Por isso,
Alves escreve “A vocação política, assim,
estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade”.
Logo, a pessoa que quer praticar a política e se tornar um político tem que cumprir duas funções: CUIDAR
do bem estar do coletivo e ESTAR a serviço da felicidade. Se falha em uma
das duas já deixou de ser político,
pois elas estão juntas e misturas.
Portanto, o político que diz que é do povo e para o
povo, mas que ignora os sofrimentos humanos, na verdade não é político. Pode ser qualquer coisa,
menos político. E também aquele que
se vende por “30 moedas de prata” ou que desvia dinheiro da educação, saúde,
segurança e outros, não é merecedor de ser chamado de político. Está mais próximo de ladrão, desumano, destruidor, homicida,
genocida, corrupto e há mais termos... Mas caso já estejamos acostumados com a
pronúncia política, podemos qualificá-los de: politiqueiro(s).
Por fim, precisamos unir nossas
forças de políticos para acabar com
as artimanhas dos politiqueiros.
Bibliografia
Dicionário Luft. São Paulo: Ática, 2005. (p 591)
Miniaurélio
Século XXI Escolar.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
Rubem Alves. “Sobre política e jardinagem”.
Disponível em: <http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/r_alves/id221000.htm>.
Acesso em: 4 set. 2009.
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