"Seria o ser humano do carro, realmente um ser humano? Ou pior, seria o ser humano sem carro, um ser, que não é ser humano?"
Segundo uma das visões humanas, um ser humano
é um ser com capacidade de pensar, ler, entender, criticar, escrever, inventar
e outras artimanhas. Em relação à invenção, o ser humano já inventou milhares
de coisas. Uma delas foi o carro. Certo dia o homem muito cansado de andar
grandes distâncias (e também pequenas!) a pé, resolveu dar maior comodidade a
seus deslocamentos, com a criação de um meio que o transportasse para outro
lugar de forma ágil e sem esforço físico.
Segundo uma das visões humanas, um ser humano
é um ser com capacidade de pensar, ler, entender, criticar, escrever, inventar
e outras artimanhas. Em relação à invenção, o ser humano já inventou milhares
de coisas. Uma delas foi o carro. Certo dia o homem muito cansado de andar
grandes distâncias (e também pequenas!) a pé, resolveu dar maior comodidade a
seus deslocamentos, com a criação de um meio que o transportasse para outro
lugar de forma ágil e sem esforço físico.
Para dirigir é necessário ter carteira de
motorista, e para tê-la, é preciso ser um ser humano, porque para dirigir é
necessário pensar. Logo, quem dirige um carro é um ser humano.
Há uma cidade do Rio de Janeiro, que tem 120
mil habitantes, e ela é considerada do interior, pois está longe de um grande
centro urbano. Falo de Resende. Lá existem muitos motoristas, portanto, tem seres humanos. Nela,
um ser humano que esteja dirigindo ao perceber outro ser humano que não tem
carro, e que precisa passar no espaço que é destinado ao carro, para seu veículo,
para que o ser humano sem carro, passe. O mais engraçado é que tem sinal (semáforo)
e mesmo se estiver no verde (para o carro), o seres humanos com o carro, param,
em respeito aos que andam.
Se um morador de Belford Roxo ler essa
informação dirá: “só pode ser invenção”. Os seres humanos também criam
estórias. Estas são histórias inventadas (tipo a estória da ‘Chapeuzinho
Vermelho’); e é chamada de estória, sem ‘h’, pois não é real. Já a história com
‘h’, refere-se a um fato que realmente aconteceu. O que acontece em Resende é
muito real, apesar de parecer uma história europeia.
Em Belford Roxo, se um ser humano deseja
atravessar a pista que é destinada aos carros, assume um grande desafio no seu
dia: atravessar +/- 4 metros de rua, sem ser atropelado. Nessa cidade, os seres
humanos que guiam os carros (que são objetos), diferentemente de Resende,
ignoram os humanos desprovidos de carro e seguem sem dar à mínima, impossibilitando
que o pobre ser chegue ao outro lado. Seria
o ser humano do carro, realmente um ser humano? Ou pior, seria o ser humano sem
carro, um ser, que não é ser humano?
A Avenida Joaquim da Costa Lima é a principal
via da cidade e tem mais ou menos 13 km de extensão. Ela tem tantos semáforos, que
precisamos só de uma mão para contá-los (5!). A Avenida Presidente Vargas, no
centro do Rio tem mais ou menos 3 km e bem mais que 5 sinais. Já é sabido que o
lugar correto para atravessar é no sinal. Portanto, uma pessoa que queira
atravessar de forma segura em B. Roxo, deve se deslocar numa distancia
equivalente a Presidente Vargas inteira! Mesmo assim, ainda deve tomar cuidado,
pois alguns carros (lembro que são conduzidos por seres humanos), atravessam o
sinal, ignorando o sinal vermelho de parar.
Depois de rodear muito, chego a uma questão
que me angustia de mais: quem é ser humano em Belford Roxo, uma pessoa ou um
carro?
Interessante.
ResponderExcluirNum primeiro momento, fiquei confusa com a primeira frase: "Seria o ser humano do carro, realmente um ser humano? Ou pior, seria o ser humano sem carro, um ser, que não é ser humano?", mas conforme a leitura compreendi melhor e, mesmo não conhecendo os lugares citados (além da Presidente Vargas) já foi dito por você em sala de aula no IN esta história. Agora lendo esse "complemento", achei a postagem bastante informativa e me trouxe a seguinte reflexão: Resende "está longe de ser considerada uma cidade urbana", logo é considerado do interior. Porém, lá, motoristas param - mesmo com o semáforo no sinal verde - para os pedestres passarem. E em cidades urbanas, motoristas avançam o sinal vermelho não se importando se há ou não pedestres para atravessar. Então, qual a cidade deveria ser considerada urbana ou do interior? Já que é muito comum ouvir que nas cidades do interior - ou consideradas do interior -, que não há muita educação. Mas, parar para um pedestre passar mesmo com um sinal dizendo que você pode avança, é ou não é uma educação exemplar? (Coisa que moradores de grandes centros urbanos desconhece...)
Enfim, uma ótima postagem Professor. :)
Ótima pergunta: qual a cidade é do interior e qual é a urbana? Fica a dúvida: o que determina a diferença entre as duas? Seria a questão da educação, como apontada por você? Realmente, há uma preconceito ao se falar em urbana e do interior. Com a Revolução Industrial, tal dicotomia passou a ser presente nos diferentes lugares do Ocidente, determinando a superioridade de uma sobre a outra, contrapondo o ideal medieval, em que a cidade era menosprezada em favor do campo.
ResponderExcluirSendo assim, após o século XIX, a cidade passou a ser o lugar do desenvolvimento e do progresso humano. No entanto, este já nasceu distorcido, em que o coletivo não se beneficiou do desenvolvimento, e sim, uma pequena parcela da sociedade. E ao mesmo que se desenvolvia diversos valores foram se perdendo. Na modernidade, período em que vivemos a expansão das tecnologias, as relações humanas, segundo o sociólogo Zigmund Bauman, são líquidas, ou seja, perdem-se facilmente. Acredito que a questão que diferencia cidade do "interior e urbana" se encontra aí. Portanto, a do interior ainda que sofra influência do mundo mais dinâmico, ainda preserva as tradições, ou seja, o respeito ao outro ainda continua como manifestação do viver no coletivo, já no lugar chamado urbano, as tradições se fragmentam para o novo.
Fui claro? Qualquer coisa conversamos no IN. Bjs