segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Até quando a omissão será nossa bandeira?

 Semana passada um casal de jovens foi morto no bairro do Gogó da Ema.  Fiquei chocado, pois mais vidas se perderam de forma cruel (a morte por violência em si já é cruel), já que tiveram cabeças e pés cortados.

 Por esse e outros fatos Belford Roxo retorna ao “bang-bang” de tempos atrás. Mas de lugar violento na década de 1980 pelos altos índices de homicídio (os mais velhos contam que era lugar de “desova”), agora (juntamente com outros municípios da Baixada) passa a ser cidade recebedora de traficantes expulsos da cidade do Rio de Janeiro. UPP, que belo projeto, pois consegue ‘salvar’ o centro para a Copa do Mundo. Porém para onde os traficantes migram? Será que desaparecem num passe de mágica? Claro que não. Migram para onde o Estado autoriza, e é uma autorização que se manifesta por sua omissão.

 Em boa parte da Baixada temos os seguintes conflitos: traficantes do comando A contra traficantes do comando B; traficantes do comando A ou B contra a polícia (há traficantes que pagam a polícia para poder funcionar); traficantes do comando A ou B contra a milícia; e etc. Que se intensificaram com a limpeza do Rio.

 Entretanto, não quero falar da omissão do poder público, e sim, das igrejas que se dizem cristã, especificamente “evangélicas”. Em cada esquina se houve falar de Jesus e de amor, contudo, na prática só são falácias. No momento em que Belford Roxo vira reduto de traficantes que fogem do Rio, a igreja se mantém omissa. Este é o momento mais propício para que a união em Cristo se concretize e rompa as barreiras do que nos impedem de sermos aquilo que Jesus sonha/sonhou.

Segundo a Bíblia o amor prevalece, no entanto, é com prática que ele se concretiza. Se quisermos pregar o evangelho de forma genuína e bela, devemos resgatar, e caso nunca tenha existido fazer surgir, o lugar político das igrejas. Lugar este que possibilitará dizer não a violência. E não é necessário ter medo, pois juntos somos muitos e fortes. Parafraseando a Bíblia: quem poderá deter os que têm fé e lutam pelo amor?