Por esse e outros fatos Belford Roxo retorna
ao “bang-bang” de tempos atrás. Mas de lugar violento na década de 1980 pelos
altos índices de homicídio (os mais velhos contam que era lugar de “desova”),
agora (juntamente com outros municípios da Baixada) passa a ser cidade
recebedora de traficantes expulsos da cidade do Rio de Janeiro. UPP, que belo
projeto, pois consegue ‘salvar’ o centro para a Copa do Mundo. Porém para onde
os traficantes migram? Será que desaparecem num passe de mágica? Claro que não.
Migram para onde o Estado autoriza, e é uma autorização que se manifesta por
sua omissão.
Em boa parte da Baixada temos os seguintes conflitos:
traficantes do comando A contra traficantes do comando B; traficantes do
comando A ou B contra a polícia (há traficantes que pagam a polícia para poder
funcionar); traficantes do comando A ou B contra a milícia; e etc. Que se
intensificaram com a limpeza do Rio.
Entretanto, não quero falar da omissão do
poder público, e sim, das igrejas que se dizem cristã, especificamente “evangélicas”.
Em cada esquina se houve falar de Jesus e de amor, contudo, na prática só são
falácias. No momento em que Belford Roxo vira reduto de traficantes que fogem
do Rio, a igreja se mantém omissa. Este é o momento mais propício para que a
união em Cristo se concretize e rompa as barreiras do que nos impedem de sermos
aquilo que Jesus sonha/sonhou.
Segundo
a Bíblia o amor prevalece, no entanto, é com prática que ele se concretiza. Se
quisermos pregar o evangelho de forma genuína e bela, devemos resgatar, e caso
nunca tenha existido fazer surgir, o lugar político das igrejas. Lugar este que
possibilitará dizer não a violência. E não é necessário ter medo, pois juntos
somos muitos e fortes. Parafraseando a Bíblia: quem poderá deter os que têm fé
e lutam pelo amor?